A Paralisia Cerebral e o Terapeuta da Fala

A Paralisia Cerebral e o Terapeuta da Fala

Tecnologias de apoio para a comunicação

Resumidamente, a criança com espasticidade apresenta um tónus elevado que se traduz numa atividade voluntária limitada, com pouca variabilidade e com padrões estereotipados de movimento. São crianças com maior probabilidade de alterações secundárias e assimetrias, isto é, tendência a alterações de alinhamento e deformidades. São crianças dependentes de tecnologias de apoio, muito passivas e com medo de mudanças de postura e movimento.
 A criança com discinesia geralmente apresenta todo o corpo envolvido com a presença de movimentos involuntários  devido às flutuações de tónus (posturas de flexão e extensão)que também dificultam o controlo postural mantido e contra gravidade. Têm falta de estabilidade postural e graduação e coordenação do movimento. São crianças muito dependentes e também necessitam de muitas tecnologias de apoio sofisticadas. Nas distonias a flutuação do tónus tem grande variabilidade (desde tónus muito elevado a tónus muito baixo), apresentando-se com posturas de flexão e extensão extremas. Nas coreoatetoses o tónus apresenta flutuações mas apresentando-se sempre mais baixo que o normal.
 A criança com ataxia não apresenta variações de tónus sendo habitualmente baixo. Tem falta de estabilidade  e baixos níveis de atividade, com alterações no equilíbrio e na coordenação dos movimentos.

Dadas todas as alterações decorrentes deste tipo de lesão, a intervenção do Terapeuta da Fala a par com outros profissionais (Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional) torna-se extremamente importante. Nesta área, o terapeuta da fala vai incidir a sua intervenção na área da comunicação (através da estimulação e habilitação para a fala ou na introdução de meios de comunicação aumentativos e alternativos), alimentação (mastigação e deglutição) e na coordenação respiratória (base da fonação). Os problemas nestas áreas são muito frequentes e limitam a criança no seu dia a dia, quer na realização de atividades de vida diária quer na exigência de uma terceira pessoa para lhe facultar tudo o que necessita. A paralisia cerebral pode representar um mundo assustador mas, com uma intervenção adequada e algumas adaptações, estas crianças podem ter uma boa participação na comunidade, ser muito felizes e grandes heróis!