Disfunção da ATM: um problema com solução

Disfunção da ATM: um problema com solução

Entrevista à terapeuta da Fala Andreia Batista publicada no Portal Inspire Saúde

Articulação temporomandibular (ATM) será provavelmente um nome desconhecido para quase todos aqueles que não têm razão para se lembrarem que esta parte do corpo existe. Mas para uma pequena percentagem de pessoas, as que lutam contra a disfunção desta articulação, ATM é uma sigla bem conhecida e carregada da lembrança do que provoca: dor.

Quem sofre de distúrbios da ATM sente, muitas vezes, que mais lhe valia comprar consultas médicas por atacado, tal é a via-sacra que têm de percorrer para, muitas vezes, apenas chegarem à cruz da falta de soluções. Correm otorrinos, dentistas, neurocirurgiões, fisioterapeutas, terapeutas da fala. E a dor, a sensação de peso e o desconforto muitas vezes não os largam.

A ATM é a articulação que liga a mandíbula – o único osso móvel que temos no crânio e que nos permite abrir e fechar a boca – ao resto do crânio. Para a localizar e sentir, basta colocar os dedos em frente às orelhas e abrir e fechar a boca.

Quando tudo está bem com esta articulação, acontece o mesmo que com quase todas as outras partes do corpo: nem nos lembramos dela. Mas quando alguma coisa está mal, os sintomas podem ser de sobra: dores de ouvidos, sensação de peso no ouvida, dores de cabeça, zumbidos (acufenos), tonturas, dores a mastigar, entre outras, quase todas dentro do que se considera ser dor orofacial.

Também a origem pode ser variada. Muitas vezes está relacionada com problemas de mordida (encaixe dos dentes superiores com os inferiores), falta de dentes, próteses mal-adaptadas, bruxismo (ranger dos dentes, sobretudo noturno) e questões posturais, como cerrar demasiado os dentes quando se está em tensão, falar constantemente ao telefone com ele preso entre o ouvido e o ombro. Estes são os casos mais vulgares e também os mais simples, mas os especialistas que intervêm nesta patologia referem que, por norma, os casos mais complexos são multifatoriais, envolvendo traumatismos, patologia articular, questões posturais, tensão muscular e tensão emocional. E é isso que torna o tratamento difícil.

A terapeuta da fala Andreia Batista, da Fale Connosco, refere que, por essa razão, são muitos os profissionais que devem acompanhar o doente com esta disfunção. “A intervenção na Disfunção Temporomandibular (DTM) deve passar pela constituição de uma equipa interdisciplinar composta não só pelo terapeuta da fala, como também por fisioterapeuta, ortodontista, ortopedista, cirurgião maxilo-facial, entre outros, dependendo da etiologia da disfunção.”