Parkinson e a Terapia da Fala

Parkinson e a Terapia da Fala

Na doença de Parkinson é comum existirem alterações de fala, caracterizadas por uma Disartria Hipocinética. Observa-se uma perda da entoação melódica, uma fala monótona e com intensidade baixa, uma produção de palavras variável, isto é, algumas são produzidas de forma precipitada enquanto outras são produzidas lentamente com silêncios inapropriados e às vezes com repetição de fonemas e/ou sílabas. Os indivíduos com esta problemática podem perder também a capacidade de imitar modelos de entoação e coordena-los com a expressão facial apropriada.

Na mastigação e deglutição, as alterações que se podem observar nas pessoas com doença de Parkinson vão desde o movimento atípico e trémulo da língua, o acúmulo de alimento nos recessos laríngeos por alteração do peristaltismo faríngeo, sensação de alimento parado na faringe e à disfunção do músculo cricofaríngeo (esfíncter esofágico superior), entre outras. A disfagia (alteração da deglutição) está presente em cerca de 50% dos indivíduos com doença de Parkinson em fases mais avançadas, pelo que a atuação do Terapeuta da Fala torna-se essencial nesta problemática, de modo a permitir uma melhor qualidade de vida.

Para além das alterações supracitadas, existem outras que, não estão diretamente ligadas à Terapia da Fala mas que são igualmente importantes e carecem de acompanhamento e tratamento. As depressões, momentos de ansiedade, alterações de sono, perda de memória, obstipação, regulação anormal da temperatura corporal, aumento da sudação, cãimbras, formigueiros e dor nos músculos, são alguns dos sinais observados.

O tratamento para a doença de Parkinson tem vários pilares. Uma das soluções é o tratamento farmacológico, desde medicamentos para promover a libertação de dopamina no interior do cérebro, ou para imitar quimicamente a sua ação, a medicamentos para inibir a enzima responsável pela degradação da dopamina ou para proteger as células produtoras deste neurotransmissor. Para além dos medicamentos, soluções como uma dieta equilibrada e a prática de exercício físico podem contribuir para o bem estar destas pessoas.

Na área da Terapia da Fala, a reabilitação passa por questões de melhoramento das alterações da motricidade orofacial, da mastigação e deglutição e das alterações da voz/fala. Exercícios musculares, sugestões para a realização das várias funções orais (respiração, mastigação, deglutição e fala), adequação da sensibilidade orofacial, a modificação das consistências dos alimentos e a terapia de voz LSVT (Lee Silvermann Voice Treatment), são algumas das possibilidades de terapêutica dentro da Terapia da Fala. O LSVT proporciona a maximização da atividade esfincteriana da laringe, promove a intensidade vocal através da premissa: “Pense forte, Fale forte” e a melhoria da qualidade vocal. Para além disto, os seus efeitos estendem-se às questões da alimentação com a modificação da fase oral e faríngea da deglutição, modifica o desempenho motor oral e proporciona uma mudança favorável do tempo de trânsito oral (tempo entre a captação completa do alimento até ao disparo do reflexo de deglutição).

Como vimos, a doença de Parkinson é uma problemática que afeta diversas áreas, e que requer o acompanhamento de uma equipa com vários profissionais, sendo o Terapeuta da Fala um dos profissionais indispensáveis para a manutenção de uma boa qualidade de vida ao nível da comunicação e alimentação do indivíduo com Parkinson.