Respiração Oral – Porquê corrigir?

Respiração Oral – Porquê corrigir?

Na função respiratória normal, a inspiração realiza-se através das vias nasais, onde o ar é limpo, aquecido e humedecido de forma a potenciar as trocas gasosas ao nível dos pulmões. Quando há um impedimento deste padrão respiratório, por alterações estruturais ou funcionais, instala-se uma respiração oral.

Inspiração Correta

Não existe um consenso relativamente à relação entre estrutura e a função. Serão as alterações estruturais que promovem este padrão respiratório, ou é a respiração oral que altera as estruturas? A grande influência entre a estrutura e função leva-nos a aceitar ambas as situações, pois são concomitantes e surgem na consequência uma da outra.

Em algumas situações, a respiração oral surge como consequência de alterações estruturais, mais concretamente, nas vias aéreas superiores. Situações como a hipertrofia das adenoides e/ou amígdalas palatinas e dos cornetos nasais, o desvio do septo nasal e a presença de rinite crónica ou pólipos obstruem de forma parcial ou total a cavidade nasal e/ou a nasofaringe (porção da faringe adjacente à cavidade nasal). Esta obstrução afeta o fluxo do ar que, por incapacidade de entrar pelo nariz, faz esse trajeto através da cavidade oral.

Pelo fato de o fluxo de ar se realizar através da cavidade oral, os respiradores orais são mais suscetíveis a ter gengivite hipertrófica como resultado da desidratação do epitélio. Esta desidratação é causada pela falha ao nível da salivação e da ação labial ou do aparecimento de bactérias (não ocorre a purificação do ar, que é feita pelo muco e cílios nasais). Há também uma maior prevalência da formação de cáries dentárias e geralmente são pessoas que possuem lábios gretados e desidratados.

É aceite que a respiração oral seja a etiologia de muitas das más oclusões dentárias. De fato, a atividade respiratória está diretamente relacionada com o desenvolvimento dento-facial e também com algumas posturas de cabeça, pescoço e cintura escapular. Estas alterações dependem da idade em que ocorre este padrão respiratório, assim como da duração do mesmo. Nas crianças estes aspectos são de extrema importância devido ao período desenvolvimental em que se encontram, pois é nesta fase que se moldam as estruturas e se integram as funções de uma forma mais ativa.